Texto e fotos: Manoel Freitas
Edição: Silvana Miranda 
 
A Barragem da Caatinga, no distrito de Engenheiro Dolabela, em Bocaiúva, “não dispõe de filtros na horizontal e nem na vertical e tem fissuras, trincas, cupim para tudo que é canto, ou seja, diversos fatores que favorecem o desmoronamento, que provocaria a destruição da ponte sobre o Rio Jequitaí, na BR-135, que dá acesso a Belo Horizonte”. A revelação foi feita sexta-feira pela manhã, durante reunião extraordinária do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Rios Jequitaí, Pacuí de trecho do São Francisco pelo engenheiro José Márcio Vieira Dias, diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Bocaiúva (Saae).
 
A reunião na 11ª Região Integrada de Segurança Pública ocorreu dois após a Barragem de Caatinga ser o centro das discussões de reunião extraordinária do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Verde Grande e Rio Pardo de Minas, na sede da Regional Norte da Federação das Indústrias de Minas Gerais. Em face ao iminente risco de rompimento, ambas contaram com respaldo do Ministério Público Estadual e Procuradoria da República de Montes Claros. O diretor do Saae ponderou que o desmoronamento do reservatório “provocaria uma tragédia de proporções inimagináveis, porque tem cinco vezes o volume da Barragem de Brumadinho”, argumentando ser necessário um estudo técnico urgente para determinar que nível seria aceitável para resolver tanto o problema social, que é a utilização de água por quatro mil pessoas em Dolabela e 760 famílias no Assentamento Betinho, como impedir seu rompimento.
 
Roberto Luiz Botelho, superintendente Operacional Norte da Copasa, a despeito de frisar que a empresa não tem captação de água em Bocaiúva, lembrou que em 2016 solicitou da Prefeitura a abertura da comporta para manter seus sistemas de abastecimento de água em Francisco Dumont, “que sofre interferência direta do nível do Rio Jequitaí, daí a importância da Barragem de Caatinga na captação do município”. Mais ainda, anunciou que Copasa acionou sua equipe de Hidrologia e deslocou maquinário para buscar em Francisco Dumont uma fonte alternativa e preventiva, ou seja, já opera no sentido de instalar poços tubulares profundos em face da preocupação da perda da reserva de água do Rio Jequitaí.
 
O diretor Operacional da Copasa chamou igualmente atenção para os impactos provocados pelo esvaziamento da barragem em Engenheiro Dolabela, “porque tem todo um índice de escoamento superficial, que se volta muito rapidamente em direção à barragem, e, ainda, como o rio não tem carreamento sólido, num curto espaço de tempo vai ser decretada sua morte”. Tecnicamente, mostrou que o esvaziamento do reservatório “provoca uma erosão muito grande, um terreno susceptível ao processo corrosivo porque se você não tem uma barragem para controlá-lo, ele não sobrevive, sem contar que a fauna será completamente destruída”.
 
Walter Alves, membro do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Rios Jequitaí, Pacuí de trecho do São Francisco e ex-vice-prefeito de Bocaiúva, informou que o vertedouro da barragem foi assoreado e precisa ser recomposto de modo emergencial “porque se avançar a erosão, provocada  pelas ondas que batem nas pedras, o talude não se sustentará”. Nesse sentido, salientou que na última reunião do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco solicitou que o mesmo banque esse estudo emergencial, argumentando que das águas do Rio Jequitaí, perenizado pela barragem, é feita captação direta pelo distrito de Engenheiro Dolabela e pela comunidade de Riachinho, que utilizam a água, tanto para abastecimento humano, animal e para área de 800 hectares irrigados”. 
 
Daí, segundo o ex-vice-prefeito de Bocaiúva, “sua importância econômica e social imensurável para o Norte de Minas”, lamentando que o Incra, gestor da Barragem, “nunca colocou sequer um piezômetro (dispositivo que mede o nível da água, que é selado no interior do subsolo para responder a variação da pressão na medida em que a barragem sobe), de modo que “cabe ao Ministério Público e as autoridades cobrarem do órgão reparos imediatos e plena manutenção da barragem, sob pena de ocorrer sinistro de grandes proporções”.